segunda-feira, julho 23, 2007

Nem para um pocket book

Um jornalista norte-americano resolveu contar, em um livro, momentos de sua vida com seu cachoro e, acreditem, está na lista dos mais vendidos. É o famoso Marley e Eu, de John Grogan. A obra é muito bem escrita e prende o leitor com as aventuras do atrapalhado labrador. É bastante emocionante acompanhar a relação de afeto entre o dono e o cão, que passa a fazer parte da história da família do jornalista.

Tenho vontade de escrever um livro, mas não faço nem idéia do que poderia escrever. Saber que Marley e Eu fez sucesso, falando sobre um tema simples, parece me deixar mais confusa: será que o segredo não está em tratar exatamente disso, ou seja, da simplicidade?

Eu sou jornalista, não tenho cachorro e a minha história com bichinhos de estimação não é das mais felizes.

O primeiro cãozinho que veio habitar a minha casa era um da raça fila, daqueles bem babões e com cara de mau. Minha mãe conta que só ela conseguia alimentá-lo, ou seja, ele não era de muitos amigos. Bom, não tenho traumas da convivência com ele, o triste é que o pobre morreu depois que lambeu uma parede que estava com veneno, porque a casa havia sido dedetizada. Foi para o céu dos cachorros com um sabor literalmente amargo na boca. Seu nome era ET. Deve ser porque era enrugadinho.

Depois, foi a vez de dois periquitinhos. Cuidávamos deles até que, por um descuido, esquecemos os dois no quintal e o frio de São Paulo fez as pequenas criaturinhas morrerem congeladas.

Teve também a história com a gata Sherry que eu e minha irmã adorávamos. Pegamos a danadinha quando ainda era pequenina. Só que, como todo gato, ela adorava dar seus passeios noturnos, voltava de madugada e ficava miando inistentemente na janela de minha mãe para ela abrir a casa. É óbvio que meus pais se cansaram dela e, um belo dia em que minha irmã e eu pássavamos férias na casa da minha vó, levaram a gata para um bairro distante para que ela fosse encher o saco de outras famílias. Quando chegamos das férias, meus pais disseram que a Sherry tinha fugido e eu, muito boba, acreditei. Mais tarde, descobrimos o que havia realmente acontecido.

Então, de novo: passaram-se vários anos e compramos uma poodle que, segundo o vendedor era toy, ou seja, aqueles que ficam sempre pequenininhos. Levamos alegremente a cadelinha para casa e foi uma festa. Demos o nome de Pepita. Com o passar do tempo vimos como era complicado para Pepita aprender as coisas e sua dificuldade para ficar sozinha em casa. Ela latia demais e anunciava que a casa estava sozinha. Além disso, não era toy coisa nenhuma, porque depois de alguns meses crescia como um cavalo. A convivência não era das melhores e demos a cadela para uma garotinha que havia perdido seu cãozinho e a criança ficou numa alegria só. Confesso que chorei naquele dia, mas foi a melhor coisa que fizemos.

Que cachorro, que gato, que nada, a próxima onda foi criar hamster. O primeiro que comprei foi o Pink. Uma gracinha e fácil de lidar. Mas ele durou pouco. Morreu no Reveillon, acho que, por causa dos fogos, ficou muito assustado. Depois, comprei um bem pequenino, o chamado hamster chinês. Era o Fievel. Esse viveu bastante para um hamster, até que chegou um dia que não saía mais debaixo do paninho e tinha ido para o céu dos hamsters.

Essa é a minha trajetória com bichinhos de estimação. Não daria nem para preencher um pocket book.