terça-feira, agosto 14, 2007

O livro que roubou minha atenção

Nos dez ou quinze últimos dias, minha atenção foi roubada por um livro. Não conseguia parar de ler uma história cuja narradora é a morte. A obra , que ainda está na lista dos mais vendidos, é A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak.

Ambientado na Alemanha, no período da II Guerra, o livro conta a história de Liesel, menininha de cerca de dez anos, que foi deixada pela mãe (na época perseguida pelo regime nazista) com uma família pobre, que adotando uma criança, acabava recebendo recursos do governo.

Assustada no início, Liesel, que havia acabado de vivenciar a morte do irmão na viagem que fizera com a mãe em direção à casa de seus novos pais, cria um laço de profundo afeto com o pai de criação. Até mesmo a estupidez da nova mãe termina por conquistar a garota.

A menina, que não sabia ler, tinha verdadeiro fascínio por livros e seu primeiro livro roubado foi no enterro do irmãozinho. O pai a ensina a ler e o prazer de roubar livros a acompanha ao longo da trama.

A obra mostra como as palavras são poderosas, nesse caso não só na vida da menina ou das leituras feitas por ela no porão para os vizinhos durante os ataques aéreos, mas também na realidade de todo o país em que Hitler ganhou poder através delas.

Os livros também formam a base da amizade entre Liesel e o judeu que fica escondido no porão da família, Max. O carinho dos dois se manifestou, em muitos casos, na leitura de livros que a menina fazia enquanto ele estava doente e nos livros que o judeu confeccionou para ela, escrevendo em cima das páginas da obra de cabeceira dos nazistas, o Mein Kampf (Minha Luta). Aliás, este é um detalhe muito significativo, se pensarmos que o livro doutrinador serviu de suporte para a criação literária, ou seja, a opressão deu lugar à liberdade de pensamento. Max pintou de branco cada página de Mein Kampf, escrevendo e desenhando sobre elas dois livros para Liesel.

A morte, os livros e o valor da amizade estão presentes na trajetória da garota. Os livros, no final da obra, têm um papel de salvação (no sentido literal) na vida dela.

A história valoriza os sentidos, principalmente as cores, com bonitas descrições do céu. Um outro aspecto que nos leva às cores é a profissão de pintor do pai de Liesel. Talvez seja um contraponto, numa história contada pela morte, num período de guerra, que nos remeteria à escuridão, às trevas. A obra também dá um lugar especial para a música, representada pelo acordeão de Hans, que o tocava todos os dias pela manhã para a menina.

1 Comments:

Blogger Glória G. said...

Terminei de ler ontem.
não chorava tanto num fim de livro desde "Éramos Seis", na 7ª série.

5:29 AM  

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