Um amor para toda a vida
A leitura de “Travessuras da menina má”, de Mario Vargas Llosa, apesar de acabada, ainda não saiu da minha cabeça. Uma obra que faz o leitor se envolver com o protagonista, Ricardo, um peruano que sonha em sair de seu país e passar o resto da vida em Paris. Mas é claro que, como o próprio título indica, não é isso que move o livro. 
Além desse sonho, Ricardo almeja algo que, como o romance mostra, é bem mais difícil de conseguir do que constituir a vida na cidade luz: ter o amor da camaleoa “menina má”, a “peruanita” ou "chinelita”, por quem ele se apaixonou ainda na juventude, no Peru.
“Chilenita” porque a garota assume diversas personalidades. No Peru, ela inventou que era do Chile e, nas outras ocasiões em que encontra Ricardo, assume a postura de guerrilheira, depois se casa com um rico francês, depois com um inglês e, por fim, acaba fazendo trabalhos sujos para um japonês. E por que tantas mudanças? Ela sonha em enriquecer e não mede esforços para isso, tentando virar do avesso as suas origens pobres peruanas.
Entre tantos casos e em diferentes lugares, o destino dela e de Ricardo acabam se encontrando e ele, apesar de maltratado todas as vezes, continua apaixonado e sonha com o dia em que os dois possam viver juntos.
Para a surpresa do leitor este dia chega: mas só porque a menina má, já perto dos 50 anos, está na pior: não tem dinheiro e está bastante adoentada. Mesmo prometendo a si mesmo que nunca mais cairia nos braços daquela que tanto o machucou, Ricardo financia um caro tratamento de saúde à sua peruanita e começa a dividir o apartamento com ela. Mas é claro que nem tudo são flores e, depois de recuperada, a menina má passa a procurar um homem mais rico e abandona o “coisinha à toa” ou “menino bom”, como ela gostava de chamá-lo.
O romance, além da história de amor, é emoldurado com a turbulência política da Europa e da América Latina, em especial do Peru, de 1950 até o final dos anos 80. Um pouquinho de História dentro da estória.
Uma vida dedicada a um único amor: este é a grande “travessura” de Ricardo. Mas por que alguém que era o seu oposto (ela, uma aventureira; ele, alguém que só queria ter estabilidade na vida), que ele via de tempos em tempos (às vezes, ficavam mais de quatro, cinco anos sem se encontrarem) e que não o amava, apenas o maltratava, foi o grande amor de sua vida? Será que ela representava tudo aquilo que ele queria ser?
Isso é uma reflexão para cada leitor, que tem uma grande surpresa no final do livro, quando pensa que a menina má já é página virada (desculpe o trocadilho) na vida de Ricardo.

Além desse sonho, Ricardo almeja algo que, como o romance mostra, é bem mais difícil de conseguir do que constituir a vida na cidade luz: ter o amor da camaleoa “menina má”, a “peruanita” ou "chinelita”, por quem ele se apaixonou ainda na juventude, no Peru.
“Chilenita” porque a garota assume diversas personalidades. No Peru, ela inventou que era do Chile e, nas outras ocasiões em que encontra Ricardo, assume a postura de guerrilheira, depois se casa com um rico francês, depois com um inglês e, por fim, acaba fazendo trabalhos sujos para um japonês. E por que tantas mudanças? Ela sonha em enriquecer e não mede esforços para isso, tentando virar do avesso as suas origens pobres peruanas.
Entre tantos casos e em diferentes lugares, o destino dela e de Ricardo acabam se encontrando e ele, apesar de maltratado todas as vezes, continua apaixonado e sonha com o dia em que os dois possam viver juntos.
Para a surpresa do leitor este dia chega: mas só porque a menina má, já perto dos 50 anos, está na pior: não tem dinheiro e está bastante adoentada. Mesmo prometendo a si mesmo que nunca mais cairia nos braços daquela que tanto o machucou, Ricardo financia um caro tratamento de saúde à sua peruanita e começa a dividir o apartamento com ela. Mas é claro que nem tudo são flores e, depois de recuperada, a menina má passa a procurar um homem mais rico e abandona o “coisinha à toa” ou “menino bom”, como ela gostava de chamá-lo.
O romance, além da história de amor, é emoldurado com a turbulência política da Europa e da América Latina, em especial do Peru, de 1950 até o final dos anos 80. Um pouquinho de História dentro da estória.
Uma vida dedicada a um único amor: este é a grande “travessura” de Ricardo. Mas por que alguém que era o seu oposto (ela, uma aventureira; ele, alguém que só queria ter estabilidade na vida), que ele via de tempos em tempos (às vezes, ficavam mais de quatro, cinco anos sem se encontrarem) e que não o amava, apenas o maltratava, foi o grande amor de sua vida? Será que ela representava tudo aquilo que ele queria ser?
Isso é uma reflexão para cada leitor, que tem uma grande surpresa no final do livro, quando pensa que a menina má já é página virada (desculpe o trocadilho) na vida de Ricardo.

