Ele também fica doente
Talvez tenha sido o momento de maior fragilidade na vida de Dráuzio Varella: ser acometido pela febre amarela. Todas as situações, desde o primeiro mal-estar até a serenidade de um doente que já não vê mais esperanças, passando por agonia e muita dor, são contadas detalhadamente pelo médico que se vê do outro lado - o do paciente. Essa é a essência de mais uma das brilhantes obras de Dráuzio, "O Médico Doente". Viver o outro lado, passar dias internado em seu local de trabalho - o hospital - fez o médico entender o comportamento de muitos dos pacientes que ele já cuidou: "Sempre atribuí a dificuldades de descrever sintomas à falta de objetividade da maioria das pessoas ao falar da própria saúde. (...) O fato de ser médico há tanto tempo não me qualificava sequer para fornecer informações claras que pudessem auxiliar meus colegas a chegar ao diagnóstico".
É uma leitura rápida, que me deixou mais curiosa pelo recentes casos de febre amarela em Goiás. Mas o livro não se concentra na doença em si, mas na história de um conceituado médico, que se descuidou ao não tomar a vacina, apesar de suas constantes viagens à Amazônia. E isso é o que surpreende: o "doutor" também é suscetível a qualquer doença e também é capaz de se esquecer de cuidar de si mesmo.


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