Sem obrigação

Existem alguns livros que estão em nossa lista de leituras mas que enrolamos, enrolamos e nunca lemos. Na minha lista estava "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa. Há um mês, tomei coragem - e a palavra é coragem mesmo - para iniciar esta leitura que sempre considerei muito densa.
No começo foi difícil avançar devido ao complicado vocabulário do escritor, recheado de neologismos. Mas com o passar das páginas, tive a sensação de estar me ambientando ao "grande sertão" e à linguagem começou a se descomplicar.
Fiquei satisfeita de ter feito esta leitura só agora e não nos tempos do colegial, como leitura obrigatória para o vestibular. Nunca uma obra como esta pode ser considerada "leitura obrigatória", com observações acadêmicas sobre o estilo do autor, o que ele queria transmitir, o porquê da invenção de algumas palavras, o uso de regionalismos etc.
A obra realmente é um sofisticado material de estudo para literários e outros estudiosos, mas, para o leitor comum, deve ser uma leitura sem pressa, para contemplar cada momento da história que o jagunço Riobaldo nos conta: os lugares por onde passa, suas aflições, batalhas que enfrenta, sonhos, dúvidas em relação a existência do diabo, sua postura de liderança e, principalmente seu secreto amor por Reinaldo , o Diadorim, seu grande amigo e também jagunço. Diadorim é sempre tão misterioso, tão certo de suas decisões, o jagunço que não tem medo e que revela ao leitor seu grande segredo, mas só nas últimas páginas da obra.
Guimarães Rosa foi um sábio no uso das palavras e na descrição da essência humana. "Grande Sertão: Veredas" deve sim ser obrigatório para quem aprecia uma boa leitura. Uma leitura "desobrigada".


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